| Resumo |
O presente texto visa abordar o amor na teoria freudiana e lacaniana, sustentando a hipótese
de que este pode ser defendido segundo o axioma lacaniano do inconsciente estruturado como
uma linguagem. Assim, percorremos algumas das diferentes formas de aparição do conceito
de amor na teoria freudiana e lacaniana e suas relações com os conceitos de transferência,
processos econômicos, pulsão, narcisismo, sexualidade, metáfora, desejo, com o intuito de
apontar sua estrutura enquanto campo de fenômeno com aproximações e afastamentos frente
a estes conceitos. Mesmo levando em consideração a importância do amor nas teorias de
Freud e de Lacan, nossa hipótese é que o estatuto conceitual do amor ficou em aberto, e para
retomá-lo, utilizaremos a verdade como fio condutor de nosso tema. Deste modo, entendemos
que o amor em psicanálise, não poderia ser tomado de forma isolada, mas sim, só poderíamos
discorrer sobre o mesmo, levando em consideração uma rede conceitual na qual ele está
inserido, isto é, suas relações com a sexualidade, pulsão, desejo e gozo. Nas categorias de
estudo do tema empregadas no trabalho ressaltamos a presença da correlação entre amor, falta
e significante e por consequência, a verdade, como uma espécie de denominador comum.
Assim, conforme concluiremos, Lacan não descarta a soberania da linguagem ao final de seu
ensino e, nesse sentido, a torna resposta a uma utilização de cunho naturalista. Com base
nessa abordagem, encontramos correlações entre a concepção de amor e de verdade estudadas
por Freud e Lacan, na medida em que há efeitos recíprocos na constituição de um fenômeno
no outro.
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